Subtítulo: (Eu queria poder ter revelado esse meu misterioso espírito que tanto tenho medo. Pois não deveria temê-lo: ele mora dentro de mim).*
Não vejo mais a luz do dia, o brilho da Lua toma conta do meu olhar. Deito-me, fecho os olhos... tudo fica escuro!
Sinto alguém perto de mim. No começo sinto medo, frio. Cubro-me. Ouço barulho, vozes e passos. O medo aumenta.
Quando me dou conta: estou dentro de um sonho! (Espero que no fim não se torne um pesadelo).
"...Uma escada sem fim. Vejo um telefone público sendo usado. Olho para o lado, quando retorno ao telefone, nada mais aparece! Continuo descendo as escadas.
Vejo uma criança contraída: chorando, sem camisa, de bermuda preta, descalço e todo molhado, cabelo no rosto, mal pude vê-lo. Falo com ela. Me dá duas palavras e... desaparece!
Nada fazia sentido. Via imagens de "Santos". Fiquei com medo. Via túmulos e entregas aos pés deles.
Parei, pensei e me dei conta de que estava em um Cemitério. Arrepiei-me: o meu maior medo, meu verdadeiro pesadelo.
No sonho tudo parecia tranquilo, todos passando sem medo algum. Não sabia mais perceber quem estava vivo ou quem estava morto.
Vi uma garota. Parou-me e me pediu uma informação. Queria saber se na entrega, dizia o nome da pessoa ou o nome do Exú, "Exú Montanha".
Uma luz aparece, flores e pessoas ficam na minha memória.
Acordo. Imediatamente conto o sonho para a minha irmã. Em casa, "Caboclo da Mata" me persegue em pensamento...
Poderia ser eles? Eu não sei. Só sei que foi estranho quando tudo aconteceu, foi!
...
* (Tive a oportunidade de conhecer aqueles que moram dentro de mim. Conhecer sim, quase todos eu conheço. Seus nomes? Eu só sei dois: Paulinha e Caboclo Mata Virgem. Melhor assim. Não preciso mais pronunciá-los, - pelo menos não por enquanto - até porque eles moram dentro de mim!).

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