quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

"O rapaz: ele vai voltar!"

Subtítulo: (Tenho sede ou fome de sua matéria-prima, não sei exatamente. Espero não me desapegar deste vício). *


Estava deitada em um dia de chuva. Quase dormindo. Estava frio. Ouvi alguém gritando o meu nome. Saí, fui ver quem era. Quase não acreditei. - estava mal vestida, com certeza não era roupa de ver quem batia na porta. - Fazia tempo que não via o rapaz.
É bonito. Um sorriso de tirar o fôlego, mas tinha um detalhe em seu rosto que me chamava mais a atenção.
Fiquei sem falar por alguns instantes: seus olhos me dominavam de um jeito que nem sei explicar. - Confesso que seu olhar era tão notável quanto uma melancia em seu pescoço. - Já havia visto olhos assim: lindos, só pelo fato de me tirar o fôlego. (Soltei um ar tão arquejante!).
É. Raro. Bem raro encontrar em pessoas que vi duas ou três vezes, no máximo. (Fiquei tão apaixonada). O rapaz tinha uma voz grossa, mas bem baixa, doce e agradável. Conversamos por cinco ou dez minutos, - no momento parecia ter percorrido minuciosos segundos, poderia até ter concluído que, para mim estava tudo indo muito bem - quase não prestei atenção no que dizia. Seu sorriso. Seu olhar. Sua voz. Sua beleza. É. Não fui capaz de resistir.
Por mais quase perfeito que fosse sua intenção de vir até aqui, foi à inconveniência de saber do meu namoro. Logo que soube que eu nem sabia direito o que era namorar, se pôs a entrar em uma das minhas listas. Naquele momento eu tinha recusado: "Hoje não, talvez outro dia...". O rapaz, gentilmente doce e delicado, se despediu e disse voltar um dia. Sua intenção era tão forte que acreditei mesmo que ele pudesse voltar. É, mas meu desejo em ver novamente sua matéria-prima mais apreciada por mim, era muito mais forte que sua indelicadeza mansa em certas perguntas.
Voltei a cama, fiquei pensando nele. Não pude voltar a dormir. Dentre alguns instantes, me cansei de lembrar-se do seu olhar. Foi difícil deixar de pensar, mas ele disse que vai voltar. Irei aguardar. (Quero soltar o ar arquejante sempre que ele voltar).

* (Em uma pessoa, seja como for, seu olho ou olhar é umas das fascinações, encanto que outra pessoa pode ter por alguém. Nosso olhar ou pensamento pode, quase sempre ou sempre, ser diferente. O meu, não quero deixar de ter este encanto quando vejo alguém tão belo e rico no olhar. Talvez eu seja rica desta matéria-prima, - o espelho não me deixa revelar - tão boa de olhar).

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